Coletes Amarelos: o movimento de 2018 e o risco de ressurgimento
O movimento dos Coletes Amarelos, que tomou as ruas da França em 2018 e 2019 com protestos contra o custo de vida e a tributação, pode ressurgir. A atual mobilização estudantil, iniciada em setembro, incorporou críticas à violência policial e aos serviços públicos, atraindo unive
Os protestos que mobilizam estudantes na França desde setembro ganharam uma dimensão mais ampla, incorporando críticas à violência policial, ao custo de vida e aos serviços públicos. Essa articulação pode levar ao ressurgimento dos antigos integrantes dos Coletes Amarelos, movimento que levou milhares de pessoas às ruas do país em 2018 e 2019.
A aproximação entre os movimentos está no centro da convocação para manifestações previstas em diversas regiões francesas. A articulação ganhou força nas redes sociais, especialmente no TikTok, com quase 460 mil publicações relacionadas aos protestos de 17 de outubro desde 27 de setembro, segundo o Le Monde.
O movimento estudantil, que começou em meados de setembro, inicialmente focava em reclamações sobre infraestrutura escolar, falta de professores e a plataforma Parcoursup. Contudo, a atuação policial em resposta aos atos, como o caso de um estudante que perdeu uma mão em Lens após ser atingido por uma granada, ampliou a contestação e levou o governo a proibir o uso de equipamentos policiais em manifestações.
A pauta se expandiu para além da educação, atraindo estudantes universitários, professores, pais, sindicatos e representantes políticos. Temas como desigualdade social, custo de vida e meio ambiente passaram a ser centrais. A convocação para protestos em 17 de outubro, associada aos coletes amarelos, surgiu de vídeos que circulavam com chamados contra os preços dos combustíveis, embora os primeiros chamados não tivessem sido lançados por uma organização nacional reconhecida do movimento histórico.
Os Gilets Jaunes, ou Coletes Amarelos, surgiram em novembro de 2018, com o estopim na insatisfação com o aumento da tributação dos combustíveis. A mobilização rapidamente incorporou críticas ao custo de vida, injustiça fiscal e perda de serviços públicos. A primeira grande jornada ocorreu em 17 de novembro de 2018, com bloqueios de estradas e rotatórias. O movimento, sem liderança única, reuniu pessoas com diferentes orientações em torno de queixas econômicas e da percepção de desigualdade, sendo também marcado por episódios de violência.
A mobilização atual compartilha pontos com o movimento de 2018, sobretudo no peso das reivindicações econômicas e no uso das redes sociais. A expressão "Gilets Jeunes" (coletes jovens) simboliza a aproximação entre estudantes e antigos apoiadores dos coletes amarelos, buscando conectar as reivindicações sobre as condições de ensino à insatisfação econômica. Antigos ativistas como Maxime Nicolle e Jérôme Rodrigues, e a Confederação Geral do Trabalho (CGT), manifestaram apoio à iniciativa, sinalizando a continuidade da articulação.