Ibovespa avança com IPCA-15 fraco e expectativa de corte na Selic; dólar a R$ 5,12
Com o IPCA-15 de julho registrando alta de apenas 0,06%, bem abaixo do esperado, o Ibovespa avançou 0,70% nesta terça-feira (28), aos 176.564,75 pontos. O dado fraco reforça a expectativa de que o Banco Central corte a Selic na reunião de agosto. O dólar, porém, subiu 0,20%, fech
O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira (28), impulsionado pela prévia da inflação de julho abaixo do esperado. O IPCA-15 registrou alta de 0,06%, muito aquém da projeção do mercado de 0,21%, segundo o Projeções Broadcast. O dado mais fraco reforça a leitura de que o Banco Central deve cortar a Selic na reunião de agosto sobre política monetária.
Na prática, o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com ganho de 0,70%, aos 176.564,75 pontos. Já o dólar à vista encerrou o dia a R$ 5,1223, em alta de 0,20%.
O que o IPCA-15 mais fraco significa para seus investimentos?
A prévia da inflação desacelerou de 0,41% em junho para 0,06% em julho. No acumulado em 12 meses, o índice arrefeceu de 4,80% para 4,52%, ainda ligeiramente acima do teto da meta inflacionária do Banco Central (BC).
O grupo de alimentação registrou deflação, com a sazonalidade de alimentos in natura e contribuição de carnes, o que aliviou o índice no mês.
Na avaliação do economista do PicPay Matheus Pizzani, o dado reforça a perspectiva de que o Banco Central possui margem para seguir com o ciclo de calibragem em sua próxima reunião. "Embora o quadro inflacionário atual siga frágil e demandando cautela da autoridade monetária, principalmente pela inflação de serviços rodando acima de 5% por mais um mês consecutivo, a trajetória descendente do núcleo e a perspectiva de um comportamento mais estável do IPCA até pelo menos o último bimestre do ano", afirma.
À frente, porém, os choques relacionados ao El Niño podem começar a comprometer a inflação. O banco projeta Selic terminal de 13,50% em 2026.
Setores que lideraram o pregão
O Índice Financeiro (IFNC) terminou o pregão com ganho de 0,82%. O Itaú (ITUB4), que detém 8% de participação do IBOV, encerrou com alta de 0,40%, a R$ 42,86.
Petrobras (PETR4; PETR3) destoou do petróleo e registrou ligeira alta: o contrato mais líquido do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para outubro fechou com recuo de 4,41%, a US$ 82,08 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres. PETR3 subiu 0,80% (R$ 46,42) e PETR4 registrou avanço de 0,49% (R$ 41,21).
A petroleira divulga logo mais seu relatório de produção e vendas do segundo trimestre de 2026.
Já a Vale (VALE3), que detém 11% de participação do índice, encerrou estável, a R$ 75,69. O contrato mais líquido da commodity, para setembro, teve baixa de 0,20%, a 741 yuans (US$ 109,51) a tonelada em Dalian, na China.
O CMDB11, ETF do BTG Pactual com uma cesta de ações ligadas a commodities na B3, registrou ganho de 1,97%.
Bancos, Vale e Petrobras correspondem a 50% da carteira teórica do Ibovespa.
Maiores altas e baixas do Ibovespa
A ponta positiva do índice foi encabeçada pela Vamos (VAMO3), que subiu 5,05% (R$ 3,33).
Já a ponta negativa foi liderada por Telefônica (VIVT3), com recuo de 5,98% (R$ 33,83) e, na sequência, TIM (TIMS3), com baixa de 5,81% (R$ 20,25).
No caso da Telefônica, os analistas do Citi já esperavam alguma pressão sob as ações no pregão desta terça, já que a dinâmica mais fraca de geração de caixa e mais uma frustração recorrente com o lucro devem superar as tendências operacionais saudáveis.
Para o Bradesco BBI, seria injusto classificar o resultado da dona da Vivo como negativo, uma vez que a companhia acelerou o crescimento da receita de serviços e manteve um desempenho resiliente em serviços móveis, inclusive, com a melhor dinâmica entre as três grandes operadoras, na leitura dos analistas.
Já no caso da TIM, a maioria das casas avaliou que a desaceleração da base de clientes com a maior concorrência, tendências operacionais mais fracas e as despesas ainda pressionadas ofuscaram os vetores positivos do resultado. A recomendação neutra foi mantida pelo Itaú BBA, Bradesco BBI e Citi.
Na avaliação do Itaú BBA, o resultado da TIM veio em linha com o esperado, o que ajuda a reduzir o risco de revisões negativas para o consenso das estimativas para o fim de 2026, especialmente após a decepção no primeiro trimestre do ano.
Cenário externo: Wall Street, Europa e Ásia
Os índices de Wall Street fecharam mistos após nova sessão volátil em reação a balanços corporativos, queda dos preços do petróleo pelo terceiro dia consecutivo e otimismo de avanço nas negociações de paz no Oriente Médio e reabertura do Estreito de Ormuz.
O 'sell-off' em ações de semicondutores continuou a pressionar o índice Nasdaq em meio à espera dos balanços das big techs e temores concentrados nos investimentos massivos em infraestrutura de inteligência artificial (IA).
Na Europa, os índices fecharam o pregão em alta com o alívio nos preços do petróleo e a pausa no conflito no Oriente Médio. O índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou as negociações com avanço de 0,35%, aos 646,89 pontos.
Na Ásia, os índices terminaram mistos: o índice Nikkei, do Japão, recuou 3,95%, aos 62.364,92 pontos, e o índice Hang Seng, de Hong Kong, teve alta de 0,41%, aos 25.310,85 pontos.
Perguntas Frequentes
O que é o IPCA-15?
O IPCA-15 é a prévia da inflação oficial do Brasil, calculada pelo IBGE. Ele coleta preços entre a segunda quinzena do mês anterior e a primeira quinzena do mês de referência.
Como o IPCA-15 influencia a Selic?
O Banco Central usa o IPCA-15 como um dos principais indicadores para calibrar a taxa Selic. Um IPCA-15 abaixo do esperado aumenta a chance de corte nos juros.
Por que o dólar subiu mesmo com o Ibovespa em alta?
O dólar subiu 0,20% influenciado por fatores externos, como a queda do petróleo e a volatilidade em Wall Street, que geraram busca por proteção cambial.
Quais ações mais subiram no Ibovespa hoje?
A Vamos (VAMO3) liderou as altas, com ganho de 5,05%, seguida por setores financeiros e de commodities.
O que esperar para a reunião do Copom em agosto?
Com o IPCA-15 mais fraco, o mercado aposta em um corte na Selic. O PicPay projeta Selic terminal de 13,50% em 2026, mas alerta para riscos como o El Niño.
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