Economia

Brasileirão fecha 1º turno com queda nas arquibancadas; Flamengo é exceção

ResumoO primeiro turno do Campeonato Brasileiro de 2026 registrou queda de 11% na média de público. Flamengo foi a única exceção entre os clubes de maior torcida, com aumento de 5% na presença e 22% na renda bruta, segundo levantamento de Marcelo Paciello.

O primeiro turno do Campeonato Brasileiro de 2026 terminou com queda de 11% na média de público, segundo levantamento de Marcelo Paciello. Flamengo foi a única exceção entre os clubes de maior torcida, com alta de 5% na presença e 22% na renda bruta.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 28 de julho de 2026
Brasileirão fecha 1º turno com queda nas arquibancadas; Flamengo é exceção

O primeiro turno do Campeonato Brasileiro de 2026 terminou na semana passada com um sinal de alerta para os clubes. A média de público caiu mais de 10% em relação à temporada anterior, assim como o número de pagantes, enquanto as receitas de bilheteria também recuaram. Em meio ao cenário de queda, apenas um integrante do chamado "Clube dos Nove" conseguiu crescer em praticamente todos os indicadores: o Flamengo.

O primeiro turno do Brasileirão 2026 registrou queda de 11% na média de público total (de 26.412 para 23.496 torcedores) e de 12% no público pagante. A renda bruta caiu 7,5% e a líquida, 2,5%. Flamengo foi exceção, com média de 60.405 torcedores (alta de 5%), ticket médio de R$ 82,82 e crescimento de 22% na renda bruta.

Por que o público caiu no Brasileirão 2026?

O levantamento do especialista em gestão e marketing esportivo Marcelo Paciello, obtido pela reportagem, mostra que a média de público total caiu de 26.412 para 23.496 torcedores por jogo, redução de 11%. O público pagante recuou 12%, de 25.546 para 22.581. A renda bruta teve queda de 7,5%, enquanto a líquida diminuiu 2,5%. A taxa média de ocupação, porém, subiu de 56% para 57%, e o ticket médio aumentou 4%, passando de R$ 56,21 para R$ 58,71.

Entre as explicações para a redução do público estão o início do Brasileirão em janeiro, simultaneamente aos campeonatos estaduais, novidade no calendário deste ano, além das ausências de Ceará e Fortaleza, que disputam a Série B após figurarem entre as maiores médias de público em 2025.

O que é o Clube dos Nove e por que ele importa?

Os números também reforçam a força do chamado "Clube dos Nove", grupo formado por Flamengo, Corinthians, Bahia, Cruzeiro, Palmeiras, Atlético Mineiro, Fluminense, São Paulo e Fortaleza, torcidas que historicamente sustentam a presença de público no Brasileirão. Mesmo com mudanças pontuais no ranking por conta de acessos e rebaixamentos, essas equipes continuam sendo responsáveis pela maior parte das arquibancadas do campeonato. O Remo, por exemplo, figura como substituto do Fortaleza neste atual momento.

No primeiro turno, os nove clubes concentraram 67% de todo o público da Série A. O Flamengo liderou com folga, alcançando média de 60.405 torcedores por partida, alta de 5% em relação ao ano anterior. Corinthians, Bahia, Cruzeiro, Palmeiras, Atlético Mineiro e Fluminense registraram queda, enquanto o Grêmio cresceu 23% e o Remo entrou na lista impulsionado pelo retorno à elite após mais de três décadas.

Flamengo: a exceção que confirma a regra

O destaque rubro negro vai além do volume de torcedores. O Flamengo aumentou a média de público justamente na temporada em que elevou em 15% o ticket médio, que chegou a R$ 82,82, o maior do campeonato.

Para Paciello, o desempenho demonstra conhecimento do comportamento do torcedor e eficiência na política de preços, já que o clube conseguiu crescer simultaneamente em público, arrecadação e ocupação.

O reflexo aparece também nas receitas. Enquanto a renda bruta média do Flamengo cresceu 22% e a líquida avançou 20%, praticamente todos os demais integrantes do grupo apresentaram retração. São Paulo e Cruzeiro tiveram as maiores quedas de arrecadação, enquanto apenas o Grêmio acompanhou os cariocas com crescimento na renda líquida.

Ocupação dos estádios: quem mais evoluiu?

Na ocupação dos estádios, o Flamengo também aparece entre os destaques. A taxa média chegou a 77%, acima dos 73% registrados na temporada anterior. O Vasco foi quem mais evoluiu no indicador, beneficiado por disputar todos os jogos em São Januário, mas o desempenho rubro negro chama atenção por combinar estádio mais cheio, ingressos mais caros e aumento de receita.

O que os números significam para o torcedor e para os clubes?

Para Marcelo Paciello, os dados reforçam a necessidade de uma liga unificada tratar a bilheteria como parte estratégica do produto Brasileirão. Além de discutir calendário, horários e mandos de campo, os clubes precisam encontrar formas de reduzir a dependência dos resultados esportivos para manter as arquibancadas cheias e evitar que a queda de público e arrecadação se torne uma tendência nas próximas temporadas.

Para o torcedor, isso pode significar mudanças em como e quando os jogos acontecem. Se a tendência de queda se mantiver, clubes podem buscar alternativas como promoções sazonais, novos pacotes de sócio-torcedor ou até mesmo readequação de preços para atrair público em dias de menor apelo esportivo.

Perguntas Frequentes

Qual foi a queda de público no 1º turno do Brasileirão 2026?

A média de público total caiu 11%, de 26.412 para 23.496 torcedores por jogo, segundo levantamento de Marcelo Paciello.

Qual time teve a maior média de público?

O Flamengo liderou com média de 60.405 torcedores por partida, alta de 5% em relação ao ano anterior.

O que é o Clube dos Nove?

É o grupo formado por Flamengo, Corinthians, Bahia, Cruzeiro, Palmeiras, Atlético Mineiro, Fluminense, São Paulo e Fortaleza, que concentrou 67% do público da Série A no primeiro turno.

Por que o público caiu no Brasileirão?

As principais explicações são o início do campeonato em janeiro, simultaneamente aos estaduais, e a ausência de Ceará e Fortaleza, que disputam a Série B.

O Flamengo aumentou o preço dos ingressos e mesmo assim teve mais público?

Sim. O clube elevou o ticket médio em 15%, para R$ 82,82, e ainda assim cresceu 5% na média de público e 22% na renda bruta.

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