Santander (SANB11) pode decepcionar? Veja projeções de lucro para quarta (29)
O Santander (SANB11) divulga resultado do 2T26 na quarta-feira (29) com expectativas moderadas de analistas. Após um primeiro trimestre já fraco, com piora do ROE e inadimplência, parte do mercado espera um lucro entre R$ 3,3 bilhões e R$ 3,9 bilhões. A Genial projeta R$ 3,74 bil
O Santander (SANB11) divulga seus números do segundo trimestre de 2026 na próxima quarta-feira (29), e o mercado não está exatamente animado. Depois de um primeiro trimestre já apagado, com piora do ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) e inadimplência, parte dos analistas espera um 'passo para trás' no lucro.
Para quem acompanha o banco, o resultado do 2T26 deve refletir um trimestre de transição. Será o primeiro balanço sem Mário Leão, que renunciou ao cargo de CEO. Gilson Finkelsztain assume com a missão de entregar um ROE de 20% até 2028, como a matriz espanhola deseja.
O que esperar do lucro do Santander no 2T26?
As projeções dos analistas variam, mas todas apontam para um cenário de estabilidade ou leve queda. O Grupo Santander Espanha já deu um indicativo: divulgou lucro líquido consolidado de R$ 3,6 bilhões para a operação brasileira, uma queda de 3% no trimestre e alta de 3% no ano.
A Genial calcula lucro de R$ 3,74 bilhões, praticamente estável em relação ao primeiro trimestre (alta de 0,3%) e com crescimento de 4% na comparação anual. Para o Bank of America, o banco lucrará R$ 3,9 bilhões, um avanço de 6% ante o ano anterior e 2% ante o trimestre anterior. Já a XP projeta lucro de R$ 3,3 bilhões, uma queda de 7,7%.
ROE deve cair ainda mais
O ROE, principal métrica de rentabilidade do banco, deve continuar pressionado. A Genial espera um ROE de 15,7%, queda de 0,3 ponto percentual no trimestre e 0,7 ponto no ano. A XP é mais pessimista: projeta ROE de 14%, recuo de 2,4 pontos percentuais.
Mesmo assim, a Genial está confiante de que o banco possa atingir um ROE próximo de 20% em algum trimestre de 2027. "Seguimos enxergando uma trajetória gradual de recuperação da rentabilidade, ainda que mais volátil diante do cenário macroeconômico e da normalização da alíquota de imposto em 2026 e 2027", afirmam os analistas.
Inadimplência e provisões: o calcanhar de Aquiles
A qualidade dos ativos continua sob pressão. Embora a inadimplência em estágio inicial tenha sido beneficiada por fatores sazonais, o volume de provisões deve aumentar na comparação trimestral. As novas regras de baixa contábil afetam cartões de crédito e PMEs, além de alguma pressão adicional no segmento de atacado.
A Genial vê baixo crescimento de crédito, aumento das despesas com provisões e leve compressão da rentabilidade. O Bank of America também cita riscos de queda nas estimativas devido a maiores despesas com provisões, puxadas pelo cenário macroeconômico mais fraco e por mudanças na política de baixa contábil.
Para a XP, as tendências da qualidade dos ativos devem continuar sob pressão. "A fraca originação do INSS e os empréstimos consignados privados parecem insuficientes para compensar esse impacto negativo", destaca a corretora. Com isso, o custo do risco deverá ser o principal obstáculo para o banco neste trimestre.
O que pode surpreender positivamente?
Nem tudo é pessimismo. Do lado positivo, os analistas afirmam que as receitas com seguros e consórcios devem permanecer resilientes, compensando parcialmente a pressão sobre outras linhas de receita. A retomada da atividade nos mercados de capitais, aliada à disciplina de custos e a uma alíquota de imposto ligeiramente menor, deverá oferecer suporte adicional.
A carteira de crédito deve crescer entre 4% e 5% na comparação anual, em linha com as tendências observadas no primeiro trimestre, segundo a XP. A expansão deverá continuar sendo puxada pelos segmentos de maior renda, incluindo crédito imobiliário, cartões de crédito e financiamento de veículos, enquanto o crédito consignado permanece restrito.
O que muda com a nova gestão?
A saída de Mário Leão e a chegada de Gilson Finkelsztain marcam um novo ciclo. O desafio imediato é entregar o ROE de 20% que a matriz espanhola deseja até 2028. Para isso, o banco precisa navegar por um cenário macroeconômico mais fraco, com inadimplência elevada e pressão regulatória. O mercado estará de olho nos primeiros sinais dessa estratégia no balanço da quarta-feira.
Perguntas Frequentes
Quando o Santander divulga o resultado do 2T26?
A divulgação está marcada para quarta-feira, 29 de janeiro de 2026.
Qual o lucro esperado para o Santander no 2T26?
As projeções variam entre R$ 3,3 bilhões (XP) e R$ 3,9 bilhões (Bank of America). A Genial estima R$ 3,74 bilhões.
O que é ROE e por que ele importa?
ROE (Return on Equity) mede a rentabilidade sobre o patrimônio líquido. Quanto maior, mais eficiente é o banco em gerar lucro com o capital dos acionistas.
Quem é o novo CEO do Santander?
Gilson Finkelsztain assumiu o cargo após a renúncia de Mário Leão. Seu principal desafio é elevar o ROE para 20% até 2028.
O que pode afetar o resultado do Santander?
Os principais riscos são o aumento das provisões para crédito, a inadimplência elevada e o cenário macroeconômico mais fraco. Do lado positivo, receitas com seguros e mercados de capitais podem ajudar.