Investimentos

Vendas do Tesouro Direto atingem segundo melhor resultado da história em junho

ResumoAs vendas do Tesouro Direto atingiram R$ 14,76 bilhões em junho, o segundo maior resultado histórico. O recorde permanece com março de 2025. O novo título Tesouro Reserva e a taxa Selic em 14,25% ao ano impulsionaram a demanda dos investidores. O movimento reflete a busca por renda fixa em cenário de juros elevados.

As vendas do Tesouro Direto atingiram R$ 14,76 bilhões em junho, o segundo maior volume da história, atrás apenas do recorde de março. O novo título Tesouro Reserva e a Selic a 14,25% ao ano puxaram a demanda. Entenda o que esse movimento significa para o seu bolso.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 28 de julho de 2026
Vendas do Tesouro Direto atingem segundo melhor resultado da história em junho

Vendas do Tesouro Direto atingem segundo melhor resultado da história em junho

As vendas de títulos públicos a pessoas físicas pelo Tesouro Direto somaram R$ 14,76 bilhões em junho, o segundo maior volume da série histórica, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta terça-feira (28). O valor perde por apenas R$ 30 milhões para o recorde de março, quando as vendas atingiram R$ 14,79 bilhões. O resultado foi impulsionado pelo novo título Tesouro Reserva e pelo patamar elevado da Taxa Selic, que está em 14,25% ao ano.

Por que as vendas do Tesouro Direto dispararam em junho?

O volume de vendas em junho foi 44,51% superior ao de maio (R$ 10,22 bilhões). Na comparação com junho do ano passado, o crescimento foi de 156,03%. O Tesouro Nacional atribui o movimento a dois fatores principais: a atratividade dos títulos indexados aos juros básicos, com a Selic em 14,25% ao ano, e a expectativa de alta da inflação oficial nos próximos meses, que torna os papéis corrigidos pelo IPCA igualmente interessantes.

O papel do Tesouro Reserva

O Tesouro Reserva, novo título indexado aos juros básicos que funciona como as caixinhas de reserva de bancos digitais, respondeu por R$ 2,09 bilhões em vendas, o equivalente a 14,2% do total. O produto foi lançado pelo Tesouro Nacional para competir com os depósitos de liquidez diária oferecidos por fintechs e bancos tradicionais.

Títulos mais procurados

Os papéis vinculados aos juros básicos (Selic) lideraram a preferência, com 54,5% de participação nas vendas. Dentro desse grupo, as tradicionais Letras Financeiras do Tesouro (LFT) somaram R$ 4,16 bilhões (28,2% do total). Os títulos corrigidos pela inflação (IPCA) corresponderam a 34,3% das vendas, enquanto os prefixados representaram 16,7%.

Como os juros altos afetam seus investimentos?

A Selic em 14,25% ao ano é o principal motor da demanda por títulos públicos. Com esse patamar, os papéis pós-fixados (LFT e Tesouro Reserva) oferecem rentabilidade elevada e baixo risco de marcação a mercado. Para quem busca proteção contra a inflação, os títulos IPCA também ganham atratividade diante das projeções de alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo.

O que esperar para os próximos meses?

Se a Selic permanecer nesse nível ou subir, a tendência é de manutenção da demanda. O Tesouro Nacional já sinaliza que o estoque total do programa atingiu R$ 262,47 bilhões no fim de junho, alta de 4,57% em relação a maio (R$ 251,01 bilhões) e de 45,53% ante junho de 2025 (R$ 180,35 bilhões). Esse crescimento reflete tanto a correção dos títulos pelos juros quanto o fato de as vendas superarem os resgates em R$ 10,1 bilhões no mês.

Quem está comprando títulos públicos?

O Tesouro Direto segue atraindo pequenos investidores. Em junho, 261.877 novos participantes ingressaram no programa, elevando o total de cadastrados para 35.853.678. Nos últimos 12 meses, o número de investidores cresceu 9,53%. Os investidores ativos (com operações em aberto) chegaram a 3.689.486, alta de 21,19% no mesmo período.

Perfil das aplicações

As operações de até R$ 5 mil representaram 75,4% do total de 1.530.276 vendas realizadas em junho. Apenas as aplicações de até R$ 1 mil corresponderam a 50,7% do volume de operações. O valor médio por operação ficou em R$ 9.648,34. Esses números indicam que o programa cumpre seu papel de popularizar o investimento em títulos públicos entre pessoas físicas.

Qual o prazo preferido dos investidores?

Os investidores estão optando por papéis de médio prazo. As vendas de títulos com vencimento entre cinco e dez anos representam 45,7% do total. As operações com prazo de até cinco anos correspondem a 37,9%, enquanto os papéis de mais de dez anos somaram 16,4% das vendas. A preferência por prazos intermediários sugere uma busca por equilíbrio entre rentabilidade e liquidez.

Tesouro Renda+ e Tesouro Educa+: desempenho modesto

Os títulos temáticos, voltados para objetivos específicos, ainda têm participação pequena. O Tesouro Renda+, destinado ao financiamento de aposentadorias e lançado no início de 2023, respondeu por 4,6% das vendas. Já o Tesouro Educa+, criado em agosto de 2023 para financiar poupança para ensino superior, atraiu apenas 2% das vendas.

O que é o Tesouro Direto e como funciona?

Criado em janeiro de 2002, o Tesouro Direto é um programa do Tesouro Nacional que permite a pessoas físicas comprar títulos públicos federais pela internet, sem intermediação de agentes financeiros. O investidor paga apenas uma taxa para a B3, a bolsa de valores brasileira, descontada nas movimentações. A venda de títulos é uma forma de o governo captar recursos para pagar dívidas e honrar compromissos. Em troca, o Tesouro se compromete a devolver o valor com um adicional que pode variar conforme a Selic, índices de inflação, câmbio ou uma taxa prefixada.

Perguntas Frequentes

O Tesouro Direto é seguro?

Sim. Os títulos públicos federais são considerados o investimento mais seguro do país, pois contam com a garantia do Tesouro Nacional. O risco de calote é praticamente nulo.

Qual título do Tesouro Direto rende mais em 2026?

Depende do cenário. Com a Selic a 14,25%, os títulos pós-fixados (LFT e Tesouro Reserva) tendem a render mais no curto prazo. Para prazos mais longos, os títulos IPCA podem ser mais vantajosos se a inflação superar as expectativas.

Preciso pagar imposto de renda no Tesouro Direto?

Sim. Os rendimentos são tributados pelo Imposto de Renda, com alíquotas regressivas que variam de 22,5% (até 180 dias) a 15% (acima de 720 dias). Há também a taxa de custódia da B3 de 0,25% ao ano sobre o valor dos títulos.

Como investir no Tesouro Direto?

Basta ter um cadastro no site do Tesouro Direto e uma conta em uma corretora ou banco habilitado. O valor mínimo de investimento é de cerca de R$ 30, dependendo do título.

O Tesouro Reserva substitui as LFT?

Não. Ambos são títulos pós-fixados indexados à Selic, mas o Tesouro Reserva tem liquidez diária e funciona como uma reserva de emergência, enquanto as LFT são mais indicadas para prazos mais longos.

Tesouro Direto: guia completo para iniciantes Selic a 14,25%: como investir em renda fixa em 2026 Tesouro Reserva vs LFT: qual escolher?

Leia também

Publicidade